segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Saudade do filme...

O tempo é mesmo um agente transformador. Quando comecei a fotografar a gente escolhia o filme que ia usar, já pensando no resultado que queria obter. Se era cor ou P&B, cromo ou negativo. Você gosta de cores saturadas? De grãos ou de traço fino? Detalhes na sombra? Muitas opções, muitas escolhas.
Na hora de revelar tinha que escolher o laboratório com cuidado "vê lá se eu entrego meus filmes para qualquer um?" Às vezes, depois de um trabalho perfeito, aquela expectativa toda, e o seu cromo vinha com um risco de ponta a ponta.... Chato, né? Tinha sempre alguém que perguntava " Filme rebobinado?" Quando era, tudo bem, era um risco que se corria, agora quando o filme era original, não tinha jeito, culpa do laboratório. Para completar, ainda tinha a escolha do papel da ampliação. Era quase um ritual...
Ainda fotografo com filme, muito menos do que antes, é verdade, mas ainda resisto. É claro que entrei na Era Digital, não tem como não aderir, mas também não tem como não sentir saudade daquele azul, ou do vermelho, que só o Velvia 50 conseguia, ou dos grãos do velho e bom Tri X. Ou ainda o meu preferido, E100VS. Que filme lindo! Perfeito na saturação e ainda dava detalhes em áreas de sombra, uma dificuldade com o Vélvia...
Mas o processo todo ia além da escolha do filme. Ainda tinha que esperar o contato para ver como ficou e escolher o que seria ampliado. Ou receber o cromo inteiro e olhar a tira antes de cortar, depois ficar um bom tempo montando nas molduras, separando o que era bom, mais ou menos e o lixo que ainda podia virar sanduíche, ou deixar mofando, literalmente, para depois ver no que deu.
Hoje não é mais assim. Dominando o Photoshop quase tudo se resolve, se conserta, se acerta. E muita gente está indo por este caminho, aprende a mexer na câmera, mete o pé no Photoshop e vamos nessa!
Não sou contra a modernidade, os novos tempos, nem nada disso. É só que hoje cedo olhei minhas velhas companheiras de andanças, viagens, devaneios... e bateu uma saudade ...
No final da semana é carnaval. Ainda não decidi, mas acho que vou sair por aí, levar minha FM10, companheira de outros carnavais, para curtir junto comigo. Na minha geladeira ainda tenho alguns heróis da resistência – TriX , Tmax, Velvia e Scala – vou ver quem vai passear comigo e matar a saudade.Acho que vamos nos divertir muito!

Um comentário:

Blog do Zé disse...

Eh eh eh

Muitas saudades, até daquele terrível cheiro do fixador que ficava na mão da gente, nunca gostei de usar pinça, aquelas de bambu ainda de vez em quando. Mas quando a cópia saia boa do revelador, ia tudo pro alto, eu esquecia da pinça e do cheiro e tacava amão no fixador e no vinagre(acido acético)do stop. Se era sabado de tarde, toca ficar lavando com limão etç para poder acariciar a namorada, de noite numa boa. Saudades da revelção e dos namoros rsrsrr

Do cromo fechando meio a um pontinho o diafragma, gosto das coisas meio sub expostas. Quando tinha um super promissor, aquela tralha de ver no projetor !!!

E o grão !!! Quando vinha aquela lindeza de grão fino!!! Na época agente não tinha muita informação de como criar o grão, na literatura todos fugiam dele e ensinavam como não obtê-lo, na vida muitos não gostavam e muitos dos que gostavam eram egoistas e escodiam as dicas. O jeito era fazer tudo ao contrário do que os livros mandavam. E toca aumentar a temperatura e de vez em quando derreter um negativo...

Saudades... mil histórias.

E voce tem razão em tudo isso aí, de vez em quando tem que rodar um filminho para não perder a cultura

beijo